Então lá me vieram buscar (a mim e à minha caminha, achei uma certa piada, aquela cama esteve sempre comigo, desde a sala de dilatação, levou-me para a sala da cesariana e de volta para o recobro na sala de dilatação e finalmente para o meu quarto, onde ficou até eu sair) e levaram-me para a sala de cesarianas. Aqui o aparato é impressionante. A mesa de operações com aquelas luzes enormes por cima e uma consola gigantesca na cabeceira com uma catrefada de instrumentos, a mesa de neonatologia/reanimação onde são recebidos e observados os recém-nascido, o armário cheio de medicação e descartáveis. Lá veio a enfermeira e a anestesista para me dar a epidural (até elas chegarem lá fiquei eu com a batinha vestida de rabo à mostra um bom bocadito, sentada em cima da mesa de operações. Situação estranha...). A anestesista (que teve o cuidado de me ir dizendo tudo o que ia fazendo) começou por me anestesiar a pele, que neste processo todo ainda foi o que doeu mais e que foi quase nada. De seguida, ainda eu sentada, pediu para não mexer nada e colocou o cateter. Depois pediu para me deitar. A sensação da epidural é deveras estranha. As pernas começaram por ficar pesadas e só depois temos noção da perda de sensibilidade.
Depois taparam-me a visão com um pano e ali fiquei eu, nuinha de perna escancarada enquanto preparavam o resto (desinfecção, etc.). Finalmente lá vem a minha médica e outro senhor que não percebi quem era e finalmente lá deixaram entrar o maridão.
Começa a cirurgia. A sensação é bem estranha porque não temos dores mas sentimos mexer, parece que nos estão a revolver as entranhas. E nós ali, completamente acordados. O meu marido lá ia falando comigo para me tentar distrair e eu lá lhe dizia que "isto é bem estranho".
A cirurgia em si foi rapidíssima, a anestesista pergunta-me se queria ver a bebé, eu digo que sim. Entretanto acho que ouvi um choro mas não tenho bem certeza, foi tudo muito rápido. Ela baixa um pouco o pano e lá vem a Sofia por cima do pano ainda coberta de sangue e fluidos e encostam-na à minha carinha como quem dá um beijinho. Nesta fase confesso, fiquei super-emocionada e vieram-me as lágrimas aos olhos. Levam novamente a pequenina para ser observada pela neonatologista e passado um pouquinho perguntam ao meu marido se queria ir buscar a filha. Ele vai e volta já com ela nos braços, enroladinha numa mantinha de algodão. Que momento.
Mais uma vez pediram ao maridão para sair (por esta altura já devia conhecer aquele corredor de cor e salteado...), acabaram o que havia para acabar e deitaram na minha caminha, com a minha menina ao lado. E a partir daí ela nunca mais deixou a minha beira. Esteve sempre juntinho a mim.
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Da consulta de hoje...
... Desta vez a Sra. Dona Sofia tinha uma surpresa para nós. 39 Semanas e 2 dias e não está encaixada. Nada nada. E eu sem contracções (por isso é que ela não encaixou...). O que significa que assim dificilmente será um parto vaginal. De qualquer forma já está combinado com a médica, de hoje a uma semana vamos ter com ela e se não acontecer nada até lá vamos tentar induzir o parto. Pode ser que com as contracções da indução a cabecita da Sofia dê o jeito e encaixe. Se não resultar... partimos para cesariana.
Não é nenhum drama, nenhum mesmo. Não podendo ser parto normal que venha a cesariana, o importante é a rapariga nascer bem. De qualquer forma fiquei assim com um misto de sentimentos, uma mistura de desilusão por não poder ser natural, nervoso miudinho porque já está quase, impaciência por termos que esperar até dia 14 (tenho quase certeza que até lá não vai acontecer nada) e alegria por estar tudo bem com a pequenita.
E o balanço do dia é este... sinto-me estranha.
Nota: imagem by Anne Geddes. Esta senhora têm fotos espétaculares.
Não é nenhum drama, nenhum mesmo. Não podendo ser parto normal que venha a cesariana, o importante é a rapariga nascer bem. De qualquer forma fiquei assim com um misto de sentimentos, uma mistura de desilusão por não poder ser natural, nervoso miudinho porque já está quase, impaciência por termos que esperar até dia 14 (tenho quase certeza que até lá não vai acontecer nada) e alegria por estar tudo bem com a pequenita.
E o balanço do dia é este... sinto-me estranha.
Nota: imagem by Anne Geddes. Esta senhora têm fotos espétaculares.
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